Puro Ego - Capitulo I

Um conto erótico de Daniel
Categoria: Gay
Data: 13/02/2020 18:42:22
Nota 9.00
Assuntos: Homossexual, Gay

Capítulo I

---- DANIEL -----

Odeio véspera de Ano-Novo.

Duas horas no trânsito para andar apenas quinze quilômetros de LaGuardia até em casa. Havia passado das dez da noite. Por que todas essas pessoas já não estavam em alguma festa? Qualquer que fosse a tensão que duas semanas no Havaí tinham feito desaparecer, já estava de volta se retorcendo cada vez mais forte dentro de mim, conforme o carro se movia lentamente.

Tentei não pensar em todo o trabalho para o qual estava voltando ― a lista infinita de problemas das outras pessoas para se juntar aos meus próprios:

Ela traiu.

Ele traiu.

Consiga custódia integral das crianças para mim.

Ela não pode ficar com a casa no Vale.

Ela só quer dinheiro.

Ela não me faz um boquete há três anos. Olha, babaca, você tem 50 anos, é careca, pomposo e sua cabeça tem formato de ovo. Ela tem 23, é gostosa e tem peitos tão firmes que quase batem no queixo. Quer consertar esse casamento? Chegue em casa com dez mil em notas vivas e novas e diga a ela para ficar de joelhos. Você terá seu boquete. Ela terá o dinheiro para gastar. Não vamos fingir que era algo mais do que isso. Assim não funciona para você? Diferente da sua futura ex-mulher, eu vou aceitar um cheque. Faça um para Daniel M. Jones, Advogado.

Esfreguei a nuca, me sentindo um pouco claustrofóbico no banco de trás do Uber, e olhei para fora pela janela. Uma idosa com um andador nos ultrapassou.

— Vou descer aqui — anunciei para o motorista.

— Mas você está com mala.

Eu já estava saindo do carro.

— Abra o porta-malas. Não vamos nos mover mesmo.

O trânsito estava completamente parado, e eu estava a apenas dois quarteirões do meu prédio. Joguei uma nota de cem dólares de gorjeta para o motorista, peguei minha mala e inspirei profundamente o ar de Manhattan.

Eu amava essa cidade tanto quanto a detestava.

Park Avenue, 575, era um edifício de antes da guerra restaurado na esquina da Rua 63, uma localização que dava noções preconceituosas sobre você para as pessoas. Alguém com meu sobrenome havia ocupado o edifício antes de o lugar ser convertido em apartamentos superfaturados de sócios-inquilinos. Esse era o motivo de o meu escritório ter tido permissão para ficar no térreo, enquanto outras salas comerciais foram expulsas anos atrás. E eu morava no último andar.

— Bem-vindo de volta, sr. Jones — o porteiro uniformizado me cumprimentou ao abrir a porta do lobby.

— Obrigado, Ed. Perdi alguma coisa enquanto estava fora?

— Não. Mesma coisa de sempre. Mas dei uma espiada na sua reforma outro dia. Está indo bem.

— Eles estão usando a entrada de serviço na rua de baixo como foram instruídos?

Ed assentiu.

— Com certeza. Quase não os ouvi nos últimos dias.

Deixei a mala no chão do apartamento, depois desci de elevador para ver como as coisas estavam. Nas duas últimas semanas, enquanto eu estava de folga em Honolulu, meu escritório passava por uma reforma completa. As rachaduras rebocadas no teto receberiam remendos e pintura, e seria instalado novo piso, a fim de substituir os tacos antigos e gastos.

Um plástico grosso continuava grudado em todas as portas quando entrei. O pouco da mobília que eu não tinha guardado no depósito também estava coberta com lonas. Merda. Eles ainda não haviam terminado. O empreiteiro tinha me assegurado de que só faltaria o acabamento quando eu retornasse. Eu estava certo em me manter cético.

No entanto, quando acendi as luzes, fiquei feliz ao ver a recepção totalmente finalizada. Finalmente, uma véspera de Ano-Novo sem surpresas horríveis, para variar.

Dei uma rápida olhada em tudo, satisfeito com o que vi, e estava prestes a sair quando notei uma luz debaixo da porta de uma salinha de arquivo no fim do corredor.

Sem pensar, fui apagá-la.

Veja bem, eu tenho 1,88m, 102 quilos e, talvez, tenha sido meu estado de espírito, minha expectativa de não ver ninguém, mas, quando abri a porta da salinha e o encontrei lá, levei o maior susto da minha vida.

Ele gritou.

Eu dei um passo para trás.

Ele se levantou, ficou em pé na cadeira e começou a gritar para mim, balançando o celular no ar.

— Vou ligar para a polícia! — Seus dedos tremiam quando ele apertou o um, depois o nove e parou sobre o último número. — Saia agora, e não ligo!

Eu poderia ter ameaçado ir para cima dele e o celular estaria fora da sua mão antes de ele perceber que não tinha digitado o último número. Mas ele parecia tão assustado que voltei mais um passo e ergui as mãos como se me rendesse.

— Não vou te machucar. — Usei minha melhor voz calma e tranquilizadora.

— Não precisa ligar para a polícia. Este escritório é meu.

— Eu pareço idiota para você? Você acabou de invadir o meu escritório.

— Seu escritório? Acho que você virou na rua errada na esquina entre a Loucura e a Maluquice.

Ele oscilou em cima da cadeira, erguendo ambos os braços a fim de recuperar o equilíbrio, e, então… sua calça caiu aos seus pés.

— Vá embora! — Ele se abaixou e segurou a calça, puxando-a para cima até sua cintura, e virou de costas para mim.

— Você toma algum remédio, senhor?

— Remédio? Senhor? Está brincando?

— Sabe de uma coisa? — Apontei para o celular que ele ainda estava segurando. — Por que não digita o último número e faz a polícia vir até aqui?

Eles podem te levar de volta para qualquer que seja o hospício do qual fugiu.

Ele arregalou os olhos.

Para uma pessoa doida ― agora que eu estava realmente olhando ―, ele era bem bonito. O cabelo ruivo cor de fogo um pouco comprido até o ombro parecia combinar com sua personalidade forte. No entanto, pelo olhar em chamas vindo dos seus olhos azuis, fiquei contente por ter me segurado e não dito isso a ele.

Ele apertou o zero e prosseguiu, a fim de denunciar meu crime de entrar no meu próprio escritório.

— Eu gostaria de denunciar um roubo.

— Roubo? — Arqueei uma sobrancelha e olhei em volta. Uma única cadeira de dobrar e uma mesa barata de metal dobrável eram os únicos móveis no espaço inteiro. — O que estou roubando exatamente? Sua simpatia?

Ele complementou sua reclamação à polícia.

— Um arrombamento e uma invasão. Gostaria de denunciar um arrombamento e uma invasão na Park Avenue, 575. — Ele parou e ouviu. — Não, acho que ele não está armado. Mas ele é grande. Realmente grande. No mínimo, um e oitenta. Talvez mais.

Dei um sorrisinho.

— E forte. Não se esqueça de dizer também que sou forte. Quer que eu mostre meus músculos para você? E talvez deva dizer que tenho olhos verdes. Não gostaria que a polícia me confundisse com todos os outros ladrões realmente grandes que estão andando pelo meu escritório.

Depois que ele desligou, ficou parado em pé na cadeira, ainda olhando para mim.

— Também tinha um rato? — perguntei.

— Um rato?

— Considerando que você pulou em cima da cadeira. — Dei risada.

— Você acha isso engraçado?

— Estranhamente, sim. E não tenho a mínima ideia do porquê. Deveria ficar irritado por chegar em casa depois de duas semanas de férias e encontrar um posseiro no meu escritório.

— Posseiro? Não sou posseiro. Este escritório é meu. Me mudei há uma semana.

Ele oscilou de novo em cima da cadeira.

— Por que não desce daí? Vai cair e se machucar.

— Como sei que não vai me machucar quando eu descer?

Balancei a cabeça e contive uma risada.

— Querido, olhe o meu tamanho. Olhe o seu. Ficar em cima da cadeira não está adiantando merda nenhuma para te manter seguro. Se eu quisesse te machucar, você já estaria frio no chão.

— Eu faço aula de Krav Maga duas vezes por semana.

— Duas vezes por semana? Sério? Obrigado pelo alerta.

— Não precisa me ridicularizar. Talvez eu pudesse te machucar. Para um invasor, você é bem mal-educado, sabe.

— Desça.

Depois de um minuto me encarando, ele desceu.

— Viu? Está tão seguro no chão quanto estava lá em cima.

— O que quer de mim?

— Você não chamou a polícia, não é? Por um segundo, quase me enganou.

— Não. Mas eu posso.

— Por que faria isso? Para que eles te prendam por arrombamento e invasão?

Ele apontou para sua mesa improvisada. Pela primeira vez, notei papéis espalhados por todo o lugar.

— Eu te disse. Este escritório é meu. Estou trabalhando até tarde porque a equipe de reforma fez tanto barulho hoje que não consegui terminar o que precisava. Por que alguém iria arrombar e invadir para trabalhar às dez e meia da noite na véspera de Ano-Novo?

Equipe de reforma? Minha equipe de reforma? Estava acontecendo alguma coisa.

— Você estava aqui com a equipe de reforma hoje?

— Estava.

Cocei o queixo, acreditando parcialmente nele.

— Qual é o nome do contramestre?

— Tommy.

Merda. Ele estava dizendo a verdade. Bom, pelo menos alguma coisa era verdade.

— Você disse que se mudou há uma semana?

— Isso mesmo.

— E alugou o espaço com quem, exatamente?

— John Cougar.

Ergui ambas as sobrancelhas ao mesmo tempo.

— John Cougar? Ele tirou o sobrenome Mellencamp por acaso?

— Como posso saber?

Isso não estava soando bem.

— E você pagou para esse John Cougar?

— Claro. É assim que funciona quando se aluga um escritório. Dois meses de calção, o primeiro e o último aluguel.

Fechei os olhos e balancei a cabeça.

— Merda.

— O que foi?

— Você foi enganado. Quanto tudo isso custou para você? Dois meses de calção, o primeiro e o último aluguel? Quatro meses no total?

— Dez mil dólares.

— Por favor, não me diga que pagou em dinheiro.

Alguma coisa finalmente fez sentido, e a cor foi drenada do seu lindo rosto.

— Ele disse que o banco dele estava fechado à tarde e que não conseguiria me dar as chaves até meu cheque cair. Se eu desse em dinheiro, poderia me mudar imediatamente.

— Você pagou quarenta mil dólares em dinheiro para John Cougar?

— Não.

— Graças a Deus.

— Paguei dez mil dólares em dinheiro.

— Pensei que tivesse dito que pagou quatro meses.

— Paguei. Eram dois mil e quinhentos por mês.

Foi a gota d’água. De toda aquela maluquice de merda que tinha ouvido até então, ele pensar que poderia alugar um espaço na Park Avenue por dois mil e quinhentos por mês foi o fim. Comecei a gargalhar.

— O que é tão engraçado?

— Você não é de Nova York, não é?

— Não. Acabei de me mudar de Oklahoma. O que isso tem a ver?

Dei um passo adiante.

— Detesto ter que dar a notícia, Oklahoma, mas você foi enganado. Este escritório é meu. Estou aqui há três anos. Meu pai ficou aqui trinta anos antes disso. Eu estava de férias nas duas últimas semanas e mandei reformar o escritório enquanto estava fora. Alguém com nome de cantor te deu um golpe e fez você dar dinheiro vivo para alugar um escritório que ele não tinha direito de alugar. O nome do porteiro é Ed. Entre pela entrada principal, e ele irá confirmar tudo que acabei de dizer.

— Não pode ser.

— O que você faz que precisa de escritório?

— Sou psicólogo.

Ergui a mão.

— Sou advogado. Deixe-me ver o contrato.

Ele baixou a cabeça.

— Ele não trouxe ainda. Disse que o proprietário estava de férias no Brasil e que eu poderia me mudar, e ele voltaria no dia primeiro para receber o aluguel e me trazer o contrato para assinar.

— Você sofreu um golpe.

— Mas eu paguei dez mil dólares!

— Que é outra coisa que deveria ter acionado um alerta. Você não conseguiria alugar nem um closet na Park Avenue por dois mil e quinhentos por mês. Não achou estranho conseguir um lugar como este por uma mixaria?

— Pensei que fosse um bom negócio.

Balancei a cabeça.

— Você conseguiu um negócio, sim. Um mau negócio.

Ele cobriu a boca.

— Acho que vou vomitar.


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Comentários

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14/02/2020 13:37:11
Gostei do conto...... continua logo
14/02/2020 12:58:19
O conto tem potencial, mas a narrativa é meio conturbada. De qualquer forma, gostei...
14/02/2020 12:06:35
qd irá postar a continuação?
14/02/2020 12:06:17
nota dez
14/02/2020 12:05:57
bem. interessante esse tema
14/02/2020 12:05:28
parabéns pela narrativa
14/02/2020 12:05:16
tema novo gostei. o encontro perfeito do destino com o acaso onde surgiu o amor.
13/02/2020 21:42:17
A PROPÓSITO SÓ MAIS UMA CORREÇÃO. A PALAVRA CORRETA NO TEXTO SERIA "CAUÇÃO" E NÃO "CALÇÃO". ME DESCULPE.
13/02/2020 21:22:59
MUITO DIÁLOGO. MUITO TEMPO SOBRE O MESMO ASSUNTO. ME ADMIRA MUITO UM PSICÓLOGO SER TÃO RETARDADO ASSIM. MAS ME PARECEU INTERESSANTE. CONTINUE.

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